NOTE
O que muda quando a IA também executa
Quando comecei a usar IA no meu processo de design, minha primeira reação foi tentar fazer as mesmas coisas mais rápido.
Gerar alternativas. Criar interfaces. Escrever conteúdo. Explorar soluções.
Com o tempo, percebi que essa era provavelmente a parte menos interessante da mudança.
O que realmente começou a mudar foi meu papel durante a execução.
Executar mais rápido não significa decidir melhor
A IA consegue produzir muita coisa em pouco tempo.
E esse é justamente um dos problemas.
Um prompt pouco específico pode gerar uma interface aparentemente pronta, mas cheia de decisões que eu nunca tomei.
Passei por isso várias vezes.
Eu pedia uma alteração e recebia outras cinco. Pedia uma correção e outra parte quebrava. Pedia uma tela e a IA começava a reinterpretar o Design System.
Quanto maior a capacidade de execução, mais importante ficou definir o que NÃO deveria ser feito.
Meus prompts começaram a parecer menos prompts
Passei a escrever coisas como:
Não faça redesign. Não altere os componentes existentes. Identifique o erro antes de corrigir. Altere somente os arquivos necessários. Execute o build e valide o resultado.
Percebi que eu não estava mais simplesmente descrevendo uma interface.
Estava definindo contexto, restrições e critérios para execução.
Isso mudou bastante a maneira como passei a enxergar IA dentro do meu trabalho.
O trabalho começa a subir de nível de abstração
Se parte da execução pode ser delegada, sobra mais espaço para uma responsabilidade que continua sendo minha: decidir.
Qual problema estamos resolvendo?
O que precisa existir?
O que não deveria existir?
Qual padrão devemos reutilizar?
Onde a experiência está ficando complexa?
O resultado realmente resolve o problema?
A IA consegue executar uma decisão rapidamente. Mas ainda preciso saber se aquela decisão deveria existir.
Ainda existe muito erro no processo
Nem tudo ficou mais simples.
Já quebrei builds, gerei alterações desnecessárias, tive problemas com previews, deploys, configuração e integrações.
Mas esses erros também me fizeram perceber que trabalhar com IA não significa abrir mão de controle.
Na verdade, estou aprendendo justamente o contrário.
Quanto mais autonomia dou para a ferramenta executar, mais preciso ser claro sobre intenção, contexto e limites.
Hoje uso IA menos para simplesmente “fazer design mais rápido” e mais para ampliar o quanto consigo explorar, testar e construir a partir das decisões que tomo como designer.