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Tentei levar meu Design System além do Figma

Setembro de 2026~3 min de leitura

Por muito tempo, meu Design System existiu principalmente dentro do Figma: foundations, tokens, componentes, padrões e documentação.

Funcionava, mas comecei a perceber uma limitação: o sistema estava bem representado visualmente, mas ainda distante de onde o produto realmente era construído.

Foi daí que comecei um experimento com o Aurora: aproximar Design System, código e IA.

A ideia parecia simples

Se cores, tipografia, espaçamentos, componentes e regras já estavam definidos, por que essas informações não poderiam servir também como contexto para uma IA construir interfaces?

A intenção nunca foi abandonar o Figma. Era deixar de depender exclusivamente dele.

Comecei a estruturar foundations, componentes e padrões também em código e dentro de um repositório Git.

E aí começaram os erros.

Descobri que pedir para a IA fazer não era suficiente

No início, eu usava instruções como:

Crie essa tela usando o Aurora.

A IA conseguia executar, mas também tomava decisões que eu não havia pedido. Alterava componentes, reinterpretava padrões e às vezes tentava resolver problemas fora do escopo.

Percebi que o problema não estava apenas na ferramenta. Eu ainda não estava definindo bem as regras da execução.

Passei a trabalhar com instruções mais específicas:

Não faça redesign. Não altere os componentes existentes. Use os tokens disponíveis. Altere somente o necessário. Valide antes de finalizar.

Os resultados começaram a ficar muito mais previsíveis.

Quando comecei a quebrar coisas, comecei a aprender

Sair do Figma também significou lidar diretamente com Git, builds, dependências, previews e deploys.

Algumas coisas quebraram.

E inicialmente eu cometia outro erro: pedia para a IA simplesmente “corrigir”.

Às vezes ela corrigia um problema criando outro.

Passei então a pedir primeiro o diagnóstico: execute, encontre o erro real, identifique a causa e altere somente o necessário.

Essa mudança foi importante porque comecei a usar IA menos como um botão de geração e mais como uma ferramenta de execução dentro de limites que eu precisava definir.

O que mudou para mim

Eu comecei querendo colocar meu Design System em código.

Hoje penso um pouco diferente.

Quero que o Design System seja uma fonte de contexto para construção.

Se um designer, desenvolvedor ou uma IA precisar criar uma nova experiência, as regras, componentes, padrões e limites já deveriam estar claros.

O Figma continua fazendo parte do processo. Mas não precisa ser o único lugar onde o sistema existe.

Meu principal aprendizado até agora é que levar um Design System além do Figma não é simplesmente transformar componentes em código. É tornar as decisões de design claras o suficiente para que pessoas, código e IA consigam construir a partir do mesmo sistema.

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Tentei levar meu Design System além do Figma | Damião Vieira