NOTE
Tentei levar meu Design System além do Figma
Por muito tempo, meu Design System existiu principalmente dentro do Figma: foundations, tokens, componentes, padrões e documentação.
Funcionava, mas comecei a perceber uma limitação: o sistema estava bem representado visualmente, mas ainda distante de onde o produto realmente era construído.
Foi daí que comecei um experimento com o Aurora: aproximar Design System, código e IA.
A ideia parecia simples
Se cores, tipografia, espaçamentos, componentes e regras já estavam definidos, por que essas informações não poderiam servir também como contexto para uma IA construir interfaces?
A intenção nunca foi abandonar o Figma. Era deixar de depender exclusivamente dele.
Comecei a estruturar foundations, componentes e padrões também em código e dentro de um repositório Git.
E aí começaram os erros.
Descobri que pedir para a IA fazer não era suficiente
No início, eu usava instruções como:
Crie essa tela usando o Aurora.
A IA conseguia executar, mas também tomava decisões que eu não havia pedido. Alterava componentes, reinterpretava padrões e às vezes tentava resolver problemas fora do escopo.
Percebi que o problema não estava apenas na ferramenta. Eu ainda não estava definindo bem as regras da execução.
Passei a trabalhar com instruções mais específicas:
Não faça redesign. Não altere os componentes existentes. Use os tokens disponíveis. Altere somente o necessário. Valide antes de finalizar.
Os resultados começaram a ficar muito mais previsíveis.
Quando comecei a quebrar coisas, comecei a aprender
Sair do Figma também significou lidar diretamente com Git, builds, dependências, previews e deploys.
Algumas coisas quebraram.
E inicialmente eu cometia outro erro: pedia para a IA simplesmente “corrigir”.
Às vezes ela corrigia um problema criando outro.
Passei então a pedir primeiro o diagnóstico: execute, encontre o erro real, identifique a causa e altere somente o necessário.
Essa mudança foi importante porque comecei a usar IA menos como um botão de geração e mais como uma ferramenta de execução dentro de limites que eu precisava definir.
O que mudou para mim
Eu comecei querendo colocar meu Design System em código.
Hoje penso um pouco diferente.
Quero que o Design System seja uma fonte de contexto para construção.
Se um designer, desenvolvedor ou uma IA precisar criar uma nova experiência, as regras, componentes, padrões e limites já deveriam estar claros.
O Figma continua fazendo parte do processo. Mas não precisa ser o único lugar onde o sistema existe.
Meu principal aprendizado até agora é que levar um Design System além do Figma não é simplesmente transformar componentes em código. É tornar as decisões de design claras o suficiente para que pessoas, código e IA consigam construir a partir do mesmo sistema.